"Agradeço a Deus Pai, a Deus Filho e a Deus Espírito, para mim sem Eles nada é possível, nada sou e nada faço." "A Graça de Deus me basta!"
Salette Granato
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O VÍCIO DESTE SÉCULO

O VÍCIO DESTE SÉCULO

Há um vício recente e poucos percebem ter, mas nenhum outro afeta tanto o nosso sistema nervoso central do que ser questionado diversas vezes sobre vários assuntos, ao mesmo tempo, pela mesma pessoa, que não espera para ouvir nossas respostas.
Quem nunca recebeu questionamentos do tipo: ‘- Tem trabalhado muito?’ E antes mesmo que você respire já emendam outra: ‘- O que você acha dessas medidas para evitar a disseminação da gripe A (H1N1)?’ É, leitor, é o assunto e o perigo do momento! E, no instante em que você se empolga para iniciar um saudável bate papo, lá vem outra: ‘- E a violência, está terrível não?’ A partir da terceira pergunta, em menos de um minuto, você já pode ser afetado pela síndrome da intolerância ou tolerância zero, como gostava de dizer “Seu Saraiva”, personagem interpretada por Francisco Milani num programa humorístico. A vida imita a arte e se você não se contiver, enfartará ali mesmo, por não conseguir responder nem ao menos o primeiro questionamento. Percebe, então, não estar num diálogo e sim num monólogo, monótono e cansativo e numa situação constrangedora transformando-o de ativo falante para passivo ouvidor e num grande gesticulador, já que o máximo de comunicação mantida é simplesmente o balanço da cabeça de um lado para o outro de forma a concordar ou a discordar
Nessa pausa, quando ficamos estáticos diante do questionador, não interessado nas nossas respostas, simplesmente pergunta por perguntar, podemos viajar no tempo e nos reportar para uma época não tão distante, quando tempo de sobra havia para sentarmos num barranco ou no meio fio e com doces poncãs, conversávamos sabiamente com nossos amigos ou vizinhos, degustando, além das poncãs, doces lições de vida. O tempo era o mesmo, mas inventávamos menos compromissos, eu diria, obrigações e éramos, digamos, de todo ouvido, já que a primazia era a educação de berço ou a adquirida. Verdadeiramente nos importávamos uns com os outros, perguntávamos somente o que tínhamos o desejo sincero em saber.
A Internet não existia, o bate papo não era virtual e sim real, olho no olho, nada de monólogos, eram diálogos saudáveis e prazerosos.
Então, eu acabo me perguntando... E, antes mesmo que eu consiga responder... Perguntar pra quê?
Salette Granato
                   10/08/09

SALETTE GRANATO
Enviado por SALETTE GRANATO em 02/04/2015
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