"Agradeço a Deus Pai, a Deus Filho e a Deus Espírito, para mim sem Eles nada é possível, nada sou e nada faço." "A Graça de Deus me basta!"

Salette Granato

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Textos

A MENTE E O HOSPITAL
                    Um dia desses me vi numa situação inusitada, devido a fortes dores tive que me submeter a uma cirurgia, o que me fez, da noite para o dia, estar num ambiente totalmente diferente do cotidiano.
Estranho é perceber que, apesar de todos os avanços da medicina e por mais simples que possa ter se tornado um procedimento cirúrgico, para nós, pobres mortais, a vida ainda está por um fio e a nossa mente acaba se tornando nossa pior inimiga!
A cabeça do paciente se transforma num turbilhão de pensamentos desde lembranças agradáveis até reflexões sobre tudo já vivido; os problemas ficam de lado como que uma bola saindo pela lateral, o que importa mesmo, passa ser a vida em toda a sua plenitude.
Na mente as promessas: - Se sair dessa, mudarei o meu modo de viver!
Mesmo sabendo das poucas horas a ter de ficar ali, uma péssima companheira é nossa mente; nossos olhos passam a reparar em tudo, nenhum detalhe nos passa, aquilo que recusamos a ver diariamente agora se escancara como uma cortina que se abre para a encenação da dura realidade hospitalar.
Entre quatro paredes, solitária, meus ouvidos se apuram, os passos no corredor, as campainhas chamando as enfermeiras ou as macas levando e trazendo alguém do Centro Cirúrgico e minha mente trabalhando sem cessar: - Qualquer hora serei eu! Nessa hora só a fé nos basta, porque o futuro é incerto e o pensamento positivo é o correto, mas o difícil é mantê-lo. Enfim, o ruído da maca se aproxima, passos ficam mais fortes até parar à minha porta. É chegada a hora, melhor mesmo é não pensar!
Pelos corredores, na maca, você vai olhando para cima, ao seu lado pessoas atenciosas e solidárias; uma empurra até o elevador, em seguida duas pegam e  levam, o martírio está a poucas horas, o pensamento positivo fica mais forte, tentando superar o medo do incerto. O elevador para; mais um corredor, chegamos ao Centro Cirúrgico; outra enfermeira com sorriso nos lábios tenta amenizar a situação de medo. Lá vamos nós a caminho da Sala de Cirurgia, gostaria de ter olhos nas mãos para ver tudo, o medo do desconhecido é o pior!
De uma maca para mesa, luzes, anestesia daqui, soro dali, pi-pi-pi...pressão e os batimentos cardíacos controlados, entra o herói em cena: o médico: - Olá, tudo bem? Antes que responda, num segundo, o sono já é profundo, agora é entre você e Deus, nada mais e cada um na sala de cirurgia fazendo sua parte.
O despertar é suave e incerto: - Será que estou viva ou morta? Todos dizem que quando morremos vemos luzes, como posso saber? Mas, quem já voltou de um coma diz que luzes são presença constante. Então, luzes e anjos aparecerem, vestidos de branco, sorrindo: - Vamos para a maca? Ufa, creio que no céu não há macas, viva estou!
Novamente, do centro cirúrgico pelo corredor, elevador, corredor, quarto e finalmente, a minha fértil mente me dá o descanso merecido e para de me aterrorizar.
Descanso da situação e descubro aquela que foi minha inimiga constante: minha mente, descontrolada diante do desconhecido e do incerto; aquela que sempre fora minha amiga, ajudando a escrever poesias e crônicas se descontrola e alucina.
Enfim, desbravando minha mente, nos limites da loucura e sanidade, digo adeus aquele quarto e aos fantasmas da insanidade.

AGOSTO/2009

SALETTE GRANATO
Enviado por SALETTE GRANATO em 17/03/2010
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